segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A cultura do desperdício

     Já se perguntou para onde vão todas as toneladas de roupas doadas todos os dias no mundo todo? Bem, sabemos que uma parte acabam no lixo mesmo. Outra parte é utilizada por entidades de caridade. Mas tem uma grande parte que tem um destino bem pouco conhecido.

     100 mil toneladas de roupas usadas são vendidas anualmente para a Índia para serem recicladas. É a indústria de reciclagem de Panipat, no norte da Índia. É lá que vão parar essas roupas, onde é feito um trabalho imenso e pouquíssimo conhecido pelo mundo ocidental. Cada brasileiro produz uns 380 quilos de lixo doméstico por ano, enquanto que os indianos produzem meio quilo! Por ano!

     Eles simplesmente não conseguem entender por que jogamos tanta roupa boa fora, não entendem essa cultura do desperdício, baseada em modas passageiras. Eles chegam a pensar que nós, ocidentais, ou não gostamos de lavar roupas, ou temos um grave problema de falta de água, por isso usamos umas duas ou três vezes uma roupa e depois as jogamos fora!

     Nessa indústria de reciclagem trabalham muitas pessoas, homens e mulheres, só que as mulheres recebem menos da metade de um homem, 4,00 reais por dia de trabalho.

     Os tecidos reciclados em Panipat dão origem àqueles cobertores cinza, usados no Brasil, principalmente por moradores de rua. Eles têm cores feias, textura grosseira e um cheiro estranho.


     Mas parece que isso é proposital, pois se forem bonitos podem ser desviados da doação para serem vendidos. Na verdade, porém, aqueles cobertores lindos e fofinhos que compramos aqui também são feitos das roupas recicladas que o ocidente vende para a Índia.


     Nós, ocidentais, nos sentimos bem ao doar coisas que na verdade iriam parar no lixo, sentimos que fizemos a nossa parte. E com isso mascaramos a verdade, a verdade que desperdiçamos muita coisas.

     É preciso repensar nas coisas que compramos. Tudo o que consumimos vem da terra. Os recursos naturais não são inesgotáveis. A natureza precisa de um tempo para se recompor. Então, compramos porque precisamos, porque nos sentimos bem comprando sentindo que estamos antenados com a moda ou porque temos o impulso de compra?

     Por outro lado, não é justamente essa indústria que mantém a sociedade e gera empregos? Estamos diante de um conflito?


                                                         


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