quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Sacrifícios de beleza

Já ouviu falar das "chinesas pé-de-lótus"? Desde o século 10 até, pasme, o início do século 20 (!!!) era um costume comum entre as moças de classe alta. Era símbolo de beleza e status. As meninas eram forçadas a usar sapatos apertados que impediam os pés de crescerem normalmente.

Elas sentiam, naturalmente, muitas dores durante toda a infância, e o resultado eram pés totalmente deformados, mas o que isso  importava se quando fossem moças pudessem usar aqueles lindos sapatinhos de seda?

Afinal elas não precisavam trabalhar como as camponesas. Mais tarde até famílias não tão ricas, submetiam suas meninas a essa tortura em nome da beleza.


Ufa! Que bom que as coisas mudaram! Será mesmo que mudaram? Sabia que entre todos os setores do mercado de moda e beleza, o que mais tem se desenvolvido é o da cirurgia plástica?

Desde os anos 90 os produtos vinham se adaptando aos novos contornos dos corpos modificados, mas agora a tendência é modificar os corpos para se adaptarem aos produtos. Existem agora cirurgiões plásticos especializados em modificar pés! Eles encurtam e modelam os dedos para que possam entrar naqueles sapatos de bico finíssimo.

Muitas mulheres não consideram isso um absurdo, mas um privilégio! Algumas chegaram ao extremo de pedirem para se retirar o dedinho do pé, porque mesmo com cirurgias anteriores seus pés ainda não se encaixavam nos modelos da moda!

Afinal, é um símbolo de status ter um sapato Louboutin no armário que são tão lindos quanto
desconfortáveis. O conforto? Ora o conforto... O próprio Christian Louboutin, criador dessas belíssimas máquinas de moer pés, disse abertamente que simplesmente "odeia o conceito do conforto"!



Naturalmente quem usa um sapato desses não tem que caminhar ou tomar um ônibus. Aqui vemos que o conceito das chinesas pé-de-lótus não desapareceu, por mais absurdo que consideremos. Se não nascemos para ser a Cinderela para poder usar o sapatinho de cristal, podemos ser esculpidas para usá-lo.


Na verdade, esse é mais um aspecto da velha busca pela felicidade... Mas se você acha que é possível encontrá-la numa vitrine ou numa mesa de cirurgia, pode esquecer! A moda adora vender essa ideia, mas ela nunca será capaz de produzi-la.



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